domingo, 13 de julho de 2014

Sobre a Morte e a Vida...

Hoje resolvi partilhar o acontecimento mais triste da minha vida até hoje e ser sincera sobre este. É íntimo, frágil e pessoal, mas é a forma que encontrei de superar a dor e o trauma, mas só o tempo aliado à fé e esperança pode curar. A perda da minha irmã mais nova. Foi há sete meses atrás que a Neusa de uma forma precoce, trágica e infeliz faleceu. Naquela tarde de Domingo em que estava feliz com meu marido numa reunião da igreja, minha amiga telefonou para mim, foi totalmente inesperado mas fiquei feliz. Quando terminamos de falar, ela pediu para conversar com o Rafhael e como são também bons amigos ficaram a falar, mas foi por tempo demais. O Rafhael afastou- se de mim e assim foi por quase 30 minutos. Estranhei muito, mas nunca imaginei o que iria acontecer em seguida.  Faltaram as forças e a coragem ao Rafhael para me contar o conteúdo da conversa. Vi ele conversar com o pastor da igreja por quase uma hora e então meu coração tremeu. Fui chamada á parte, e aí recebi a fatídica notícia. A minha irmã, menina linda e inteligente que eu admirava por sua força e capacidades tinha morrido. Foi o choque, a incredulidade, não consegui chorar e pensei: 
"Não isso não é possível, vocês estão completamente errados, é um engano e já a seguir vamos saber a verdade." 
Não soube as circunstâncias da morte de minha irmã de imediato e quando telefonei para casa fiquei ainda pior e aí sim o terror apoderou-se de mim. A Neusa, minha irmã que eu amo tirou a sua própria vida de forma violenta. Não entendi nada. No dia seguinte viajei para Portugal e toda aquela semana fiquei numa realidade paralela, não acreditei em nada daquilo, simplesmente não era possível, não com a Neusa. Ela era forte, aparentemente feliz e realizada, uma vida completa e cheia. E os meses se passaram, não conseguia falar sobre o assunto e cada vez que alguém se aproximava para dar os sentimentos, eu ficava ofendida como se todos estivessem mentindo para mim. Ninguém sabia o que estava a dizer. Hoje a realidade caiu em mim, ainda tenho muitas perguntas sem resposta e as quais nunca vou obter, tudo porque minha irmã nunca partilhava nada sobre a sua vida. Tudo sobre ela estava trancado a cadeados dentro da sua mente, no seu coração. Não partilhava alegrias, medos, conquistas e planos para o futuro. Senti que falhei, por não a conhecer o suficiente, por não ter procurado mais por ela e acima de tudo por a ter julgado mal e não ter compreendido a sua dor. Hoje luto contra estes pensamentos, a Neusa tinha falado há pouco tempo comigo e chorando me pediu perdão por não ter sido minha amiga. Disse que não chorasse e que dali em diante iríamos fazer melhor e diferente. Mas já não houve tempo para a redenção, para o amor. Um semana antes de viajar para o Reino Unido supliquei num telefonema que a quetua ver, abraçar e despedir para que ela soubesse o quanto a amava. Ela disse, que sim. E foi a última vez, esse encontro nunca aconteceu e perdemos a nossa oportunidade. A depressão que ela sofria já tinha avançado demais. E eu não entendia, eu não sabia por completo o que se passava, todos em minha família ocultaram a gravidade da situação. As várias tentativas, os internamentos sucessivos em estado de coma, sou soube no dia do funeral, quando já era tarde demais para alguma coisa fazer. Hoje já consigo falar sobre o assunto, e cheguei à conclusão que a nossa única defesa contra a morte é o amor. Sejamos     humildes para amar em todos os momentos e não deixar passar o tempo para abraçar, elogiar, buscar porque somos vulneráveis e a vida não volta atrás, nem o tempo e nem as oportunidades. Só isso pode dar real sentido à vida. 

1 comentário:

Inês Rocha disse...

Contra a morte só o amor... Tenho a certeza que a Neusa gostou muito <3


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