sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Quando tudo vira rotina...

                    

O meu despertador toca ás 19:20 e durmo pelo máximo mais cinco minutos e é o tempo de pegar a mala, sair a correr de casa e em doze minutos numa velocidade máxima chego ao trabalho para mais um turno de 12 horas. Somos um casal, dois ritmos de vida e a seguir o que acontece? What's Next? 
As distâncias podem até nem ser em quilômetros ou milhas, mas existem e sejam bem-vindos, este é o meu casamento! O Rafha e eu conhecemos em 2009 e o tempo de passarmos juntos numa relação de amizade em que pouco a pouco fomos formando uma equipa. Divertíamos com as nossas diferenças, confessávamos o mundo interno um ao outro sem pudores e naquela época estarmos juntos trazia á superfície o melhor de um e do outro. Quando ele partiu para o Brasil depois de mais de 2 anos numa amizade intimista e meses de enamoramento, decidi que a distância não nos iria separar. Foram alguns meses de desgaste emocional, mas recompensador no final e 3 anos depois no Brasil, noivamos e casámos. Hoje vivemos em Inglaterra com grandes projetos profissionais e pessoais. Mas nada é fácil... Tenho sempre trabalhado em turnos noturnos e os horários chocam. A loiça acumula, o cesto das roupas transborda, raramente tomamos refeições juntos e, no ultimo ano para além de todo o aprendizado de viver no mesmo espaço, as distâncias começaram a manifestar-se! Mas aprender a viver junto não é sempre belo e bonito, desculpem mas não é! Por isso, os contos de fada terminam no baile de casamento, porque explorar o dia a dia de princesas e príncipes, a desarrumação de um, as roupas espalhadas pela casa e a carpete a precisar de ser aspirada pode colocar um ponto de interrogacão na frase: " E viveram felizes para sempre?"  Por vezes, a cozinha parece o cenário do seriado, " Kitchen Nightmares" e o resto da casa o "acumuladores". O Rafha ama a ordem e a beleza, já eu organizo-me na bagunça e sinto até tranquilidade. A minha gaveta de meias e afins é hoje a única em convulsão total e que bem me faz abrir e olhar para ela. Além do amor e das fadas, está o sabermos comunicar e sempre e demasiado, mas se quando eu durmo, ele está acordado e quando eu fico acordada, ele tem sono e dorme, " what's next? E se pensarmos na nossa vida social, essa está resumida á televisão plasma, jogos da X-BOX, muitos vídeos e vlogs no youtube. Uma vez o outra e em doses macrobióticas encontramos amigos e fazemos jantares juntos ou viagens, mas a regularidade? Não tem, os horários chocam e assim ficamos. Cheguei ao limite da exaustão no meu trabalho e por isso, decidir mudar de emprego e mudar de vida. Parte o meu coração saber que não podemos mais curtir um filme juntos, apenas nas noites de folga, onde estou tão cansada que adormeço ainda nos créditos! Resultado? A distância só vinca mais. Filhos? Como assim se por vezes nem dinheiro temos para uma almofada de decoração ou uma vela de cheiro? (olha o exagero!!!!!) Somos loucos quando permitimos distâncias destas se arrastarem no tempo, podemos ter uma casa bonita e carro, muita roupa, sapatos, malas, acessórios e afins, mas separados pela perseguição de confortos materiais é fraqueza e tem um sabor agridoce. Sinto que colocamos em perigo a promessa de ficarmos juntos para sempre, não importa o quê! Por mais recompensadora que seja a profissão ou o nosso trabalho, ele nunca nos vai amar de volta. Decidi olhar mais além e mais alto, não colocar mais a minha saúde em risco e o bem estar meu e do hubs ( marido ). Estou desejosa pelo dia que voltaremos a estar juntos novamente a cozinhar por prazer, fazer uma noite de cinema e pipocas ou dolce fare niente em leituras dispersas e conversas que se estendem no tempo, sem eu acabar derrotada pelo sono na introdução do conto ou do conto de fadas ao qual um dia, disse Sim, no altar. 

4 comentários:

Raquel disse...

Vou fazer 13 anos de casada este ano. Com dois filhos pelo meio. Rotina...tell me about it. É um trabalho para a vida, este de manter um casamento. Há momentos muito maus, outros muito bons, outros assim-assim. E o que importa é isto mesmo. O compromisso que temos com aquela pessoa que escolhemos e que nos escolheu. O fazer marcha-atrás sempre que nos vemos no rumo errado. Beijocas de empatia ;)

Inês Rocha disse...

Regar a planta amiga! :)

Irina Jeanette Pires disse...

Raquel, verdade isto são daquelas coisas que antes de passarmos por elas, pensamos que só acontecem aos outros. Mas não...
Gostei muito de ler o teu comentário, saber que existe alguém que vive as mesmas questões. No final, vamos fazer valer tudo a pena :)
Beijinhos

Irina Jeanette Pires disse...

Inês Rocha, mas sabes que mais? bem podia ser um bonsai :)


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