quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Abraça-me a Ausência.....

Esta semana, andei perdida entre Olhares e Divagações sobre a sobriedade dos meus pensamentos do meu amor e amar...
Na semana passada, vivemos bons e felizes momentos a dois, foram 72 horas completas na presença desse amor, dessa amizade (im)perfeita e perfeito amor, no entanto sinto em mim a vontade de me distanciar e por vezes pergunto: acabou-se o meu amor?
Chego agora á conclusão que podemos ser um na fusão de dois e sendo dois, nunca deixaremos de ser apenas um, esse número ímpar nos sentidos, gostos, desejos e aspirações e isso faz de nós um par muito ímpar e singular, é a metamorfose dos números e dos seres.
POr vezes, gosto e admiro o silêncio, a quietude e o afastar das carícias e abraços, sinto necessidade de apenas beijar os meus livros, a escuridão, o silêncio do meu ser, do meu interior e peço ao outro que compreenda a minha ausência e, se ele a souber compreender também ele vai usufurir de momentos e encontros em si e para si.
Não vejo necessidade de arrastar o Outro para esta minha existência, como se ele fosse um ser desprovido de personalidade, acontecimentos e histórias prévias ao meu eu e ao nosso estar. E sinto que cada vez que regressamos um ao outro, sentimos ainda mais sede, vontade de estar, de partilhar, beijar e abraçar...eu gosto de varrer a monotonia da vida e do amor. Se puder, apanho um autocarro diferente todos os dias, porque sei que o percurso será diferente, os meus sentidos poderão rejubilar na euforia de experimentar novas experiências e, eu de retardar o envelhecimento precoce do meu córtex cerebral. Não quero ver o meu amor, meu e do R. envelhecer, quero desfrutar de novas experiências e sensações e que os nossos Olhares sintam sempre a frescura da saudade e as nossa divagações aspirem por lugares mais além e mais altos.
Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir isto, porque prefiro abraçar o conteúdo em lugar da forma e, sentir sempre a frescura de repousar a minha cabeça nos ombros dele; como aquele prazer que sinto ao revirar uma almofada aquecida nas noites de verão apenas para voltar a sentir a frescura que esteve por momentos ausente.

Abraça o Conteúdo e Não a Forma

"Às vezes o homem repudia a mulher, ou a mulher muda de amante, por se ter desiludido. Consequências do comportamento leviano quer de um quer do outro. Porque só é possível amar através da mulher e não a mulher. Através do poema e não o poema. Através da paisagem entrevista do alto das montanhas. E a licenciosidade nasce da angústia de não se conseguir ser. Quando uma pessoa anda com insónias, volta-se e torna-se a voltar na cama, à procura do fresco ombro do leito. Mas basta tocá-lo, para ele se tornar tépido e recusar-se. E ele procura noutro sítio uma fonte durável de frescura. Mas não consegue dar com ela, porque mal lhe toca a provisão esvai-se. O mesmo se passa com aquele ou com aquela que se fica no vazio dos seres. Não passam de vazios os seres que não são janelas ou frestas para Deus. É por isso que, no amor vulgar, só amas o que te foge. De outra maneira, vês-te saciado e descoroçoado com a tua satisfação. "

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

1 comentário:

Bogdan Burca disse...

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